Esta semana, em reunião da Academia Maranhense de Letras, lembrou-se, com alguma surpresa, da passagem de 10 anos do falecimento do escritor e pesquisador Jomar Moraes, que se tornou o mais longevo presidente da Casa, tarefa a que se dedicou com dedicação plena e afinco total, a ponto de transformar essa sua atividade administrativa na realização principal de seus anseios.
A surpresa que, de repente, tomou conta de todos os acadêmicos presentes se deu pela constatação reflexiva da efemeridade do tempo, eis que, tão marcante e tão presente foi a presença do escritor nessa Casa que todos foram colhidos pela a impressão de que não havia passado tanto tempo de sua partida. Jomar Moraes, como é sabido, doou-se para a Instituição a par de uma atividade febril e diversificada para composição de uma trajetória literária que serviu de referência e dinamizou a vida cultural do estado.
Assim como o escritor de romances pode ser dividido entre o construtor de texto, de ideias e de enredos ou de personagens, como classificou em artigo o escritor Raimundo Carreiro, também se poderia dizer que, em termos do comportamento em relação ao ambiente cultural que o cerca, o escritor pode agir de duas formas, conforme sua personalidade e vocação. De um lado estão aqueles que objetivam e reverberam apenas sua produção, não se permitindo atuar como personagem de referência, fora dos limites de sua obra.
