Duas grandes famílias de macacos do Novo Mundo acabam de receber notícias de seus ancestrais. Um grupo de cientistas desenterrou 4 dentes e um pedaço do “osso do tarso”, datados de cerca de 11 milhões de anos, na região do Acre, Amazônia brasileira, provenientes da formação geológica Solimões Superior. Embora pequenos e alguns em estado moderado de preservação, os fósseis mais do que dobram a diversidade conhecida de primatas do Mioceno na Amazônia brasileira, além de revelarem duas espécies totalmente novas: Migmacebus juruaensis e Parabrachyteles vesperus.
A nomeação dos 2 macacos amazônicos foi possível graças à tomografia computadorizada de alta precisão e fotografia óptica dos fósseis encontrados. Os cientistas reconstruíram sua alimentação baseada nos macacos atuais: com cerca de 6 quilos, Parabrachyteles vesperus tinha uma dieta composta de alimentos fibrosos, rica em folhas, como a dos muriquis. Já Migmacebus juruaensis provavelmente não ultrapassava um quilo, e teve uma dieta composta principalmente de frutas e objetos duros, como os atuais macaco-prego, macaco-inglês e parauacu.
De acordo com o artigo, publicado no Journal of Mammalian Evolution (Nature), a descrição do Parabrachyteles representa um capítulo da história evolutiva dos muriquis, enquanto Migmacebus se apresenta como uma “quimera morfológica dos macacos-esquilo atuais e dos macacos-prego”.
