Na correria dos dias, quase ninguém percebe o quanto uma cidade vai se afastando de si mesma. As pessoas continuam passando pelas mesmas ruas, os ônibus seguem lotados, o comércio abre cedo, a chuva cai sobre os telhados antigos de São Luís, mas alguma coisa se perde no meio do caminho. Talvez seja o hábito de olhar devagar. Talvez a capacidade de sentir pertencimento.
A abertura da Coletiva de Maio, realizada no Convento das Mercês, teve um pouco disso. Não apenas pela reunião de artistas ou pelas dezenas de obras espalhadas pelo Salão Portugal, mas pelo que existia entre elas: gente olhando, conversando baixo, tentando reconhecer algo de si em cada cor, em cada pintura, em cada silêncio exposto nas paredes.
A arte tem dessas coisas. Ela encontra palavras para sentimentos que passam anos morando sem nome dentro da gente.
O Maranhão sempre viveu cercado por manifestações culturais grandiosas, mas existe também uma arte mais quieta, menos festiva, que nasce dentro dos quartos, nos fundos das casas, nas madrugadas de quem trabalha o dia inteiro e ainda encontra forças para criar. São pessoas que seguem pintando, escrevendo, desenhando ou fotografando mesmo sem garantia de aplauso. Talvez porque algumas formas de expressão sejam menos uma escolha e mais uma necessidade de continuar respirando.
E isso revivemos na exposição!
Não era apenas um conjunto de obras organizadas num salão histórico.
