*Por Marcus Cunha
Durante muito tempo, falar em carros voadores parecia um exercício de imaginação. Hoje, essa discussão deixou de ser apenas ficção científica para se tornar uma pauta concreta do planejamento urbano. A questão já não é quando os e-VTOLs (electric Vertical Take-Off and Landing), aeronaves elétricas de pouso e decolagem vertical, chegarão às cidades, mas se elas estarão preparadas para recebê-los. E essa preparação precisa começar muito antes do primeiro carro voador da Embraer decolar, previsto para 2027. Ela deve iniciar imediatamente, no planejamento urbano e, consequentemente, no mercado imobiliário.
A história mostra que a mobilidade sempre redesenhou as cidades. Ferrovias, rodovias, metrôs e corredores de ônibus transformaram a forma como os bairros cresceram, influenciaram onde as pessoas escolheram morar e mudaram a maneira como os empreendimentos imobiliários passaram a ser concebidos. Com a mobilidade aérea urbana, esse processo tende a se repetir. Ignorar essa transformação seria repetir um erro que as cidades já cometeram em outros momentos da história.
Pesquisas da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) indicam que os e-VTOLs despontam como uma alternativa capaz de reduzir em até 40% o tempo de deslocamento e diminuir em 30% as emissões de carbono em comparação com helicópteros convencionais, além de ampliar a conectividade entre diferentes regiões.
