O estágio superior de um foguete Falcon 9, depois de cumprir seu papel em uma importante missão lunar, está prestes a escrever o último capítulo de sua história de forma… impactante. Dentro de poucos dias, ele deverá atingir a superfície da Lua após 18 meses vagando pelo espaço entre a Terra e o nosso satélite natural.
À primeira vista, parece apenas mais uma consequência pouco inspiradora da nossa exploração espacial. Afinal, aos poucos, estamos deixando rastros da presença humana não apenas em nosso planeta, mas também no espaço ao nosso redor e até em outros corpos do Sistema Solar. Mas por outro lado, eventos como esse oferecem uma rara oportunidade científica, permitindo compreender melhor a física dos impactos cósmicos e revelar alguns dos segredos escondidos abaixo da superfície lunar.
Depois de lançar as sondas Blue Ghost e Hakuto-R rumo à Lua, em janeiro de 2025, o segundo estágio do foguete Falcon 9, da SpaceX, permaneceu em uma órbita altamente elíptica, se aproximando sucessivamente tanto da Terra quanto da Lua. Sem combustível suficiente para realizar uma manobra de descarte controlado, sua trajetória passou a ser moldada pelas complexas interações gravitacionais principalmente entre o foguete, a Terra e a Lua. Uma verdadeira dança gravitacional a três, em que pequenas perturbações se acumulam até alterar completamente o destino do objeto.
