O Brasil e a China podem liderar a criação de um novo padrão internacional de rastreabilidade para as cadeias de soja e carne bovina livres de desmatamento. A avaliação é de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que propõe a unificação dos critérios de monitoramento socioambiental utilizados atualmente no país para fortalecer a competitividade do agronegócio brasileiro e ampliar a confiança dos compradores internacionais.
A pesquisa destaca que a proposta ganha relevância porque o Brasil é o maior exportador mundial de soja e carne bovina e, em 2024, esses dois produtos responderam por cerca de 60% do valor das exportações agropecuárias brasileiras. A China, por sua vez, permanece como o principal destino das commodities do país, tornando-se peça-chave para impulsionar um sistema comum de rastreabilidade e monitoramento ambiental.
Segundo os pesquisadores, o comércio internacional de alimentos passa por uma transformação, com governos, instituições financeiras e compradores exigindo cada vez mais garantias de que produtos agrícolas não estejam associados ao desmatamento. Nesse cenário, a rastreabilidade deixa de ser apenas uma obrigação regulatória para se tornar um diferencial competitivo capaz de facilitar o acesso a mercados mais exigentes.
O levantamento analisou 21 iniciativas de monitoramento atualmente utilizadas nas cadeias da soja e da carne bovina, incluindo protocolos, certificações, plataformas públicas e acordos voluntários.
