Em meio ao sucesso estrondoso nos cinemas, com mais de US$ 650 milhões (cerca de R$ 3,3 bilhões) de bilheteria em 10 dias, a adaptação de “A Odisseia” de Christopher Nolan foi criticada pela tradutora da versão em inglês do poema lançada em 2017, Emily Wilson.
Em um texto escrito para o London Review of Books, a britânica apontou que o filme é confuso, os personagens mal explorados e entrega uma promessa rasa de grandes ideias.
“‘A Odisseia’ de Nolan carece de muitos dos elementos que tornam o poema grandioso. Não tem nada de convincente a dizer sobre tempo, memória, história, guerra ou sobre a relação entre o retorno glorioso de um guerreiro e as vidas de sua família, adversários, companheiros, amigos e vizinhos”, escreveu.
“Falta-lhe profundidade psicológica, emocional, política e ética. Sua estrutura narrativa é artificial. A escrita é péssima. Nenhum dos personagens tem uma motivação convincente para suas ações ou palavras. Não há cenas de sexo, e toda a comida parece horrível”, continuou.
A tradutora ainda criticou as abordagens dos personagens principais e femininos da trama, além de apontar ausências fundamentais de elementos que compõem o épico de Homero, segundo ela.
Apesar de não concordar com as escolhas e abordagem de Nolan, Wilson celebrou o fato de o filme estar levando pessoas aos cinemas e potencialmente gerar curiosidade no público sobre o clássico de Homero.
“O lançamento de ‘A Odisseia’ continua sendo um evento a ser celebrado.
