Novos movimentos de líderes políticos da América Latina acendem alertas sobre a saúde da democracia no continente. Parte dos ataques mira direitos eleitorais e a própria institucionalidade dos regimes. Os mais recentes envolvem Daniel Ortega e Nayib Bukele.
Ortega anunciou o fim das eleições na Nicarágua, sob aplausos de apoiadores.
“Não haverá mais eleições, não haverá mais eleições onde eles tentem tomar o governo, tomar o poder”, afirmou em discurso. Ele comanda o país desde 2008 e manteve o poder a partir de uma série de reformas.
“As declarações de Ortega no último domingo são simplesmente o episódio mais recente de uma série de decisões muito autoritárias”, disse o cientista político e colaborador do Centro de Estudos Político-Estratégicos da Marinha Maurício Santoro, ao WW de terça-feira (21).
Já Bukele confirmou que irá disputar um terceiro mandato como chefe de Estado de El Salvador. Caso vença, ficará no cargo até 2033. O grupo governista controla praticamente todas as instituições, inclusive as eleitorais e a maior instância da justiça.
O “fenômeno” democrático ainda é relativamente novo no continente, que sofreu com diversos golpes militares e intervenções ao longo do século XX.
Da Costa Rica ao Paraguai, ou do Panamá à Guiana, cada país construiu, à sua maneira, um regime com suas nuances.
