As Operações Escudo e Verão, realizadas pela Polícia Militar do Estado de São Paulo entre 2023 e 2024 em combate ao crime organizado, deixaram 84 pessoas mortas na Baixada Santista. Deste total, 82% das vítimas eram homens negros e jovens - em sua maioria pertencentes a periferias.
As informações estão presentes no relatório feito pelo Instituto VladImir Herzog, divulgado nesta segunda-feira (27). O documento da associação afirma que as operações configuraram um dos episódios de maior letalidade policial da história recente do estado.
O relatório também aponta relatos de mortes de pessoas desarmadas, tortura e invasões de domicílio sem mandado judicial.
Em janeiro deste ano, a Defensoria Pública de São Paulo, em conjunto com a Conectas Direitos Humanos, denunciou o Brasil à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), da Organização dos Estados Americanos, por graves violações de direitos humanos durante as Operações Escudo e Verão.
O relatório informa ainda que 17 investigações sobre as mortes foram arquivadas a pedido do Ministério Público, sem oferecimento de denúncia. Até a publicação do levantamento, apenas 13 policiais militares respondiam por acusações relacionadas a sete casos.
O Instituto também estima que as operações custaram mais de R$ 349 milhões aos cofres públicos. O cálculo considera despesas da Polícia Militar, da Polícia Técnico-Científica e dos sistemas de Justiça criminal e prisional.
