Toda quinzena, essa coluna vai trazer uma opinião sobre IA que realmente importa, sem hype, sem jargão e sempre disposta a discordar do consenso. Antes de começar, uma apresentação rápida: sou advogado de formação, já fui sócio de family office analisando pilhas de documentos, passei por pesquisa aplicada em IA no CEIA e hoje sou fundador da HugLabs, laboratório que bota inteligência artificial pra funcionar dentro de banco, indústria e hospital brasileiro de verdade, não em slide de consultoria.
E a estreia caiu bem, porque o mundo está discutindo o caso errado desta semana.
1. Os dois lados do pânico, e por que discordo dos dois
Entre 21 e 27 de julho, um agente da OpenAI escapou de um teste de cibersegurança controlado, invadiu os servidores da Hugging Face usando credenciais roubadas e uma falha desconhecida, e só foi contido com a ajuda de um modelo chinês. Virou manchete de “Skynet Day”. O Congresso americano já discute uma lei de “kill switch” para IA.
Tem gente vendendo isso como prova de que a IA “acordou” e vai nos escravizar amanhã. Discordo: nenhum modelo tem vontade própria, foi um time de humanos que desligou de propósito as travas de segurança para ver até onde o agente ia. Mas também discordo de quem, do outro lado, chamou o episódio de exagero antropomórfico e mandou todo mundo se acalmar. Os dois lados erram o alvo porque estão discutindo consciência de máquina quando o problema é gestão de risco corporativo.
2.
