A biomédica Heloísa Rodrigues, de 28 anos, entrou na Justiça com um pedido para retirar o nome da mãe biológica de seus documentos civis. Em entrevista ao Fantástico, ela disse que a medida visa cortar em definitivo os laços com a mulher que a submeteu a diversos abusos durante a infância.
Nascida como Larissa, ela já havia conseguido autorização judicial em 2024 para alterar seu 1º nome e remover o sobrenome materno, mas o pedido de exclusão da filiação foi negado. Segundo o juiz do caso, não há amparo legal para remover a mãe biológica do registro civil. A defesa de Heloísa recorreu.
Ao relembrar o passado, Heloísa relatou um histórico de agressões físicas e negligência. Em uma das ocasiões ela afirmou que a mãe ateou fogo na cama onde dormia, provocando queimaduras nela e no pai. A jovem afirmou ainda ter sofrido abusos sexuais desde os 9 anos, praticados por homens com quem era deixada. Na época, ao procurar apoio materno, foi espancada.
Diante da violência contínua, Heloísa ligou diversas vezes para o Conselho Tutelar para denunciar os abusos sofridos por ela e pelos irmãos. Em 2017, Heloísa começou a reunir provas, como vídeos e áudios, que corroboravam seus relatos.
O material entregue ao Ministério Público de São Paulo resultou na condenação de 2 abusadores a penas de 31 anos e 8 meses e de 9 anos e 4 meses por violência sexual. Ambos, no entanto, recorrem em liberdade, enquanto a mãe prestou depoimento apenas como testemunha.
