O combate ao HIV (Human Immunodeficiency Virus) enfrenta uma reversão depois de décadas de avanços. No ano passado, 21 países registraram aumento de novas infecções pelo vírus, segundo dados divulgados pela Unaids nesta 2ª feira (27.jul.2026).
No total, 1,2 milhão de pessoas contraíram HIV em 2025. Desde 2010, sete países conseguiram reduzir as novas infecções em pelo menos 78%, enquanto outros 21 apresentaram crescimento no mesmo período.
Cortes de financiamento
A redução dos investimentos em prevenção é apontada como um dos principais fatores.
Em 2024, a prevenção recebeu só 11% dos recursos destinados ao combate ao HIV. Na África Subsaariana, 80% do financiamento para essa área vinha de fontes internacionais, muitas delas afetadas por cortes.
Em Camarões, Nigéria e Zâmbia, o uso da PrEP (profilaxia pré-exposição), medicamento que reduz o risco de transmissão do vírus, caiu mais de 50% após a redução dos recursos.
As organizações comunitárias também foram afetadas. Esses grupos receberam até 25% dos recursos externos destinados ao HIV em 2024. Um levantamento realizado em 47 países em 2026 registrou queda de 85% nos serviços voltados a gays, 82% nos atendimentos para profissionais do sexo, 72% nas ações para pessoas que sofreram violência baseada em gênero e 50% nos serviços comunitários de PrEP e apoio ao tratamento.
Em sentido contrário ao cenário global, o Brasil registrou avanço.
