Um quarto do território do estado do Rio de Janeiro, ou cerca de três e quatro milhões de pessoas, está sob o domínio de organizações criminosas, principalmente pelo CV (Comando Vermelho).
O diagnóstico é do procurador-geral de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, Antônio José Campos Moreira, feito durante o encontro internacional “Conferência de Consenso”, que debateu a cooperação entre Brasil e Itália contra o crime organizado, realizado na sede do MPSP (Ministério Público de São Paulo), na última quinta-feira (23).
Durante seu discurso, o chefe do MPRJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) explicou que o cenário da segurança pública no estado sofreu uma grave metamorfose.
O formato tradicional das milícias, que surgiu no início dos anos 2000 integrado por agentes de segurança pública corrompidos, desapareceu, dando lugar a uma fusão. “O formato antigo da milícia não existe mais. Hoje o tráfico é milícia e a milícia é tráfico”, afirmou.
Mais do que o tráfico de drogas, que se tornou uma atividade econômica secundária em algumas dessas áreas, as facções passaram a explorar toda a economia local.
Entre os exemplos citados está o controle sobre serviços essenciais, como o fornecimento clandestino e monopolizado de internet, apelidado de “CVnet” (internet fornecida pelo Comando Vermelho).
