A permanência da polarização política no Brasil não pode ser explicada apenas pelo ambiente de insatisfação da sociedade com a política. Para o cientista político e professor do IDP (Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa), Rafael Cortez, é preciso compreender quais interesses políticos, econômicos e sociais são representados pelas forças que hoje disputam espaço no país.
Em participação no WW Especial, da CNN Brasil, Cortez afirmou que há explicações de natureza sociológica para a continuidade desse cenário. Segundo ele, o sentimento de insatisfação com a política não é exclusivo da atual polarização entre lulismo e bolsonarismo. Ele lembrou que esse fenômeno também estava presente durante a disputa entre PT e PSDB.
“A despeito desse mal-estar, a gente assistia também, por outro caminho, a um certo mal-estar quando a polarização era, por exemplo, PT e PSDB. Ali tinha um pouco mais o contorno do tipo: ‘é tudo igual, não adianta nada votar'”, disse.
Para Cortez, esse descontentamento tende a persistir diante das transformações da sociedade e das dificuldades de organização dos partidos políticos.
“Partido político, forças políticas na nossa era, em que a classe já não é mais um ator para sustentar e os partidos específicos brasileiros têm pouca organicidade, tornam pouco provável que a gente chegue a um mundo em que a sociedade brasileira esteja satisfeita com as forças políticas”, explicou.
