Entre 2003 e 2005, Glasgow teve a maior taxa de homicídios da Europa.
Getty Images via BBC
A cena no tribunal era incomum. Em 24 de outubro de 2008, não havia júri, testemunhas nem réus no Tribunal do Xerife de Glasgow, na Escócia. Diante do juiz, vestido com trajes oficiais, estavam 85 integrantes de gangues rivais da zona leste da cidade, a maior do país.
✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp
Durante décadas, a região conviveu com gangues juvenis que disputavam território, além de crime organizado e brigas envolvendo tráfico de drogas e comércio ilegal de armas. Ataques com faca aconteciam quase todos os dias.
Apesar das rivalidades, os integrantes das gangues ficaram em silêncio enquanto ouviam uma série de depoimentos. Uma mãe contou que o rosto do filho, de 13 anos, ficou irreconhecível depois de um ataque com faca ligado a uma gangue. Um jogador americano de basquete falou sobre a morte do irmão, baleado. Médicos e cirurgiões descreveram cortes profundos e deformações permanentes.
A mensagem era clara: a violência precisava acabar.
"Se eu fosse o chefe [da polícia de Strathclyde], provavelmente não teria permitido que fizéssemos aquilo", lembra Karyn McCluskey, cofundadora e ex-diretora da Unidade Escocesa de Redução da Violência (SVRU, na sigla em inglês), criada pela polícia em 2005 e ampliada pelo governo escocês no ano seguinte para atuar em todo o país. Foi a unidade que organizou aquela iniciativa incomum.
Como a Escócia foi de 'capital de assassinatos' da Europa a um dos lugares mais seguros do mundo
