“Não esqueça de falar do Pix. Fala que o Pix é nosso”. Foi assim que Sidônio Cardoso Palmeira, 68 anos, instruiu ao pé do ouvido o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um evento sobre implantação de VLT, em Salvador, em abril deste ano. O vídeo está aqui. O movimento não passou despercebido. Contrasta com o modus operandi do publicitário baiano, que tende a agir com discrição.
Nas reuniões ministeriais, nunca ocupa o 1º plano. Costuma se sentar nas extremidades, embora não tão distante de Lula. Também tem pouca disposição para cerimônias.
Prefere reuniões mais reservadas no Planalto, apresentações enxutas e discussões técnicas. Almoça com jornalistas em encontros bem restritos, em geral no restaurante Lake’s, o local preferido dos políticos em Brasília.
Quando o presidente discursa, fica nos cantos observando para posteriormente sugerir ajustes na comunicação.
Esse homem de 68 anos e voz cadenciada viu no atrito com os Estados Unidos por causa do tarifaço sobre produtos brasileiros uma oportunidade de montar uma estratégia para surfar em uma onda de nacionalismo. O Planalto passou a usar a palavra “soberania” como um dos pilares da comunicação a partir do 2º semestre de 2025.
Houve uma ordem unida entre os governistas para que intensificassem nas redes sociais publicações nessa linha.
A medida ajudou a melhorar a percepção sobre o trabalho de Lula naquele momento, a ponto de o percentual de aprovação atingir 51% e, assim, superar o nível de desaprovação.
