O agronegócio brasileiro vive hoje um paradoxo. Continua aumentando a produção, investindo em tecnologia e sustentando boa parte das exportações do país. Mas, para muitos produtores, produzir mais já não significa ganhar mais.
Essa realidade pode ser resumida por uma imagem simples: uma prensa.
O produtor rural está no centro de duas forças que comprimem sua rentabilidade. De um lado, os preços internacionais das commodities perderam parte do impulso observado na última década. De outro, o custo do dinheiro aumentou e passou a pesar cada vez mais sobre a atividade.
O resultado é uma rentabilidade menor justamente em um setor que depende intensamente de crédito para produzir.
O capital mudou de destino
Durante muitos anos, os mercados financeiros apostaram fortemente nas commodities.
O crescimento da China e de outras economias emergentes sustentava a expectativa de uma demanda crescente por alimentos, proteínas e matérias-primas. Esse ambiente atraía investimentos e ajudava a sustentar os preços agrícolas.
Hoje, parte desse capital mudou de direção.
A inteligência artificial abriu uma nova fronteira tecnológica. Empresas ligadas à inovação, à infraestrutura digital e ao processamento de dados passaram a concentrar grandes volumes de investimentos, atraindo recursos que antes também abasteciam mercados como o das commodities.
Essa migração não explica, sozinha, a formação dos preços agrícolas.
