Dois países disputam o controle de uma carga de ouro guardada no cofre de um banco. Não, não se trata de um romance de piratas do século XVIII nem de um filme de assaltos, mas de parte da complexa realidade vivida pela Venezuela em um ano marcado por mudanças e tragédias.
E o ditador deposto da Venezuela, Nicolás Maduro, capturado por forças especiais dos Estados Unidos em janeiro e levado para Nova York, onde nesta terça-feira (21) voltou a comparecer ao Tribunal Federal do Distrito Sul durante o processo contra ele por narcoterrorismo, tráfico de drogas e outras acusações que ele rejeita, está no centro dessa história.
Trata-se de 31 toneladas de barras de ouro pertencentes à Venezuela, parte de suas reservas totais, que foram depositadas no Banco da Inglaterra em 2008 e sobre as quais Caracas não tem controle desde que a Justiça britânica negou ao governo acesso ao metal, em 2019, após não reconhecer Nicolás Maduro como presidente. Pelo valor atual do ouro, a quantia equivaleria a cerca de US$ 4 bilhões.
“Esse ouro pertence ao nosso povo e deve estar disponível para enfrentar as consequências terríveis e trágicas desse duplo terremoto”, afirmou a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, no início de julho, durante uma transmissão do canal estatal VTV. “A Venezuela tem recursos para se recuperar, para se reerguer”, acrescentou.
Mas como exatamente esse ouro foi parar na Inglaterra e por que o governo venezuelano teve o acesso negado?
