Por Laura Amico
No 2º semestre de 2012, poucas semanas depois do início do meu ano no Nieman Fellowship, nossa turma foi assistir à peça “Marie Antoinette” no American Repertory Theater, na Universidade Harvard.
Tive dificuldades com a peça. Lembro-me de sentir que não conseguia entender o que acontecia no palco, como se estivesse perdendo algo que todos os outros compreendiam. Quando a curadora do programa, Ann Marie Lipinski, perguntou mais tarde o que achei, admiti essa sensação.
“Bem”, disse, franzindo os lábios, “você é difícil de agradar”.
Ela não estava errada.
Na época, eu era repórter policial. Tinha fundado pouco antes o Homicide Watch D.C., uma publicação digital independente dedicada a contar histórias de pessoas cujas vidas poderiam ser esquecidas. Meu trabalho girava em torno de policiais, promotores, advogados de defesa e documentos públicos. O teatro não estava apenas fora da minha cobertura -mal entrava no meu radar.
Se alguém me dissesse naquela noite no início do meu ano de bolsa que, mais de uma década depois, eu criaria um podcast sobre o teatro de Boston, eu teria rido. Eu não sabia nada sobre teatro, sobre podcasts ou sobre Boston.
E, no entanto, foi exatamente o que aconteceu.
Para algumas pessoas, as carreiras seguem uma linha reta. Outras, como eu, estão constantemente buscando as condições certas para crescer. Não é confortável e provavelmente não é financeiramente responsável.
