O “escavador de ossos” desliza para dentro de uma caverna estreita em uma colina na selva de Okinawa. É um homem de porte franzino que, com agilidade, passa o corpo pela entrada da gruta, desviando-se cuidadosamente do teto de calcário pontiagudo enquanto transita sobre as pedras e a terra que se esfarelam no chão.
Ele se agacha enquanto a lanterna em sua testa ilumina a terra sob seus pés e remexe o solo com uma ferramenta de jardinagem, na tentativa de encontrar vestígios de pessoas que se esconderam em cavernas como aquela durante a Batalha de Okinawa, na Segunda Guerra Mundial.
Esta é a obra de uma vida para o buscador de ossos Takamatsu Gushiken. Ele passa grande parte de seu tempo livre em grutas na província mais ao sul do Japão, tentando trazer um desfecho para uma das batalhas mais ferozes e letais da Guerra do Pacífico.
Pergunto por que faz esse trabalho. Ele faz uma pausa e dá de ombros.
“Eles são humanos, e eu também sou”, diz ele baixinho, olhando para baixo, com a voz embargada pela emoção.
Japão sofre com falta de herdeiros, mas proíbe mulheres de ocuparem o trono
Terremoto de magnitude 6,9 atinge nordeste do Japão
Por que a China comemora a derrota do Japão na Segunda Guerra Mundial?
Gushiken me mostra o que encontrou no local até agora: partes de um crânio da região da orelha, ossos menores, talvez de um pé, diz ele, e outros ainda menores, possivelmente de uma criança ou de um bebê.
