O Brasil atravessa um período de transição política marcado pela ausência de novas lideranças capazes de substituir as forças que dominaram o cenário nacional nos últimos anos, segundo o cientista político e professor do Insper, Carlos Melo. Em participação no programa WW Especial, da CNN Brasil, ele afirmou que o momento atual deve ser analisado também a partir das transformações sociais em curso, antes mesmo da disputa política.
Ao comentar o conceito de “interregno”, associado ao pensamento do filósofo italiano Antonio Gramsci (1891-1937) e utilizado pelo cientista político Sérgio Abranches para interpretar mudanças sociais, Melo afirmou que o país vive uma fase em que antigas estruturas perdem força enquanto novas ainda não se consolidaram.
“Há alguns anos, Sérgio Abranches tomou emprestado um termo de Gramsci para definir esse momento: o de que estaríamos vivendo um interregno, uma sociedade em transformação, em que ‘a sociedade onde nós nascemos está se desmanchando e uma nova sociedade está se colocando’”, afirmou Melo.
Segundo Melo, esse processo não ocorre de maneira imediata. “O velho está agonizando, mas o novo ainda não nasceu ou não despertou toda a sua potencialidade”, disse, ao explicar que períodos de transição costumam ser acompanhados por incertezas e pela permanência temporária de lideranças e grupos ligados ao ciclo anterior.
“Setores sociais remanescentes do passado estão colocados e não conseguem ser substituídos imediatamente.
