A marca britânica Burberry causou escândalo ao admitir ter queimado mercadorias novas
AP - Alastair Grant
Durante décadas, parte da indústria do luxo administrou seus excedentes longe dos olhos dos consumidores. A destruição de produtos não vendidos ajudava a preservar a raridade que sustenta o prestígio e os preços das grandes marcas.
Com as novas regras da União Europeia, anunciadas nesta semana, esse modelo passa a ser questionado e obriga o setor a buscar formas de conciliar exclusividade, rentabilidade e responsabilidade ambiental.
Segundo a nova regulamentação, grandes empresas que atuam na União Europeia não poderão mais destruir roupas, calçados e acessórios não vendidos.
O texto é claro: as marcas terão de dar uma segunda destinação a esses produtos. Entre as alternativas estão a venda por meio de canais de liquidação de estoque, a doação para instituições, o reparo, o recondicionamento ou a reciclagem dos materiais. A destruição só será permitida em situações específicas, especialmente quando o produto apresentar riscos, estiver danificado ou for falsificado.
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A medida responde a uma realidade preocupante. Segundo a Agência Europeia do Meio Ambiente, entre 4% e 9% dos produtos têxteis colocados no mercado europeu são destruídos antes mesmo de serem utilizados.
Isso representa, anualmente, entre 264 mil e quase 600 mil toneladas de roupas, calçados e acessórios novos.
Marcas de luxo não poderão mais destruir produtos não vendidos na UE e 'exclusividade' fica ameaçada
