Enquanto a bola da grande Copa rolava em três países, enquanto a Espanha caminhava para mais um título, o New YorK Times publicava uma reportagem sobre Garrincha (quem lembra? Quem das novas gerações sabe quem foi?), o demônio- gênio das pernas tortas, olvidado e apagado em seu próprio país de origem, o Brasil, curiosamente, o país que um dia foi chamado de o País do Futebol
Um Personagem chapliniano, anti-atlético, desprovido de beleza física ou inteligência especial, a quem somente a genialidade seria capaz de sacá-lo do lodo da história para convertê-lo em mito, no panteão de guerreiros e ídolos cultuados por uma nação.
Desses tipos e personas que parecem saídos da ficção, mas que vieram da dura realidade dos desesperançados das favelas e periferias. Personagens que, não fosse pelo futebol, estariam condenados ao esquecimento e ao abandono, mas a quem Deus, um dia, parece ter depositado na testa dos mesmos uma estrela dizendo: “Vai estrela, brilha no caminho desses gauches da vida, e os torna dribladores do destino”.
E deu-lhes a paixão por uma bola de futebol para exercitar justamente isso: o drible. Ao iniciar sua carreira, no Botafogo, Garrincha foi visto de longe por Nílton Santos, a Enciclopédia do Futebol merecendo dele o comentário irônico: “A coisa tá feia por aqui.
