A humanidade viveu uma “era de ouro” de diversidade linguística entre três mil e mil anos atrás. É o que aponta um estudo publicado nesta semana na revista Science. Pesquisadores usaram modelos estatísticos e dados de populações para reconstruir a história dos idiomas desde o surgimento da agricultura. Ao fazerem isso, descobriram que o planeta já abrigou dezenas de milhares de línguas diferentes ao mesmo tempo.
Os resultados indicam que a diversidade de idiomas atingiu o seu ponto mais alto há cerca de dois mil anos, com estimativas de até 75 mil línguas faladas no mundo. Essa fase de grande riqueza cultural foi impulsionada pelo crescimento populacional gerado pela domesticação de plantas e animais, que permitiu o aparecimento de comunidades isoladas.
O declínio dos idiomas e o impacto dos grandes impérios
Antes da invenção da agricultura, a população humana global era pequena. Variava entre quatro e sete milhões de pessoas. Com base no comportamento de grupos caçadores-coletores atuais, os cientistas calcularam que existiam entre 4,5 mil e seis mil idiomas no período pré-agrícola. Conforme as pessoas se fixavam na terra e a população crescia, novas formas de falar foram criadas e se espalharam.
Entretanto, esse período de fartura deu lugar a um processo acelerado de extinção muito antes das colonizações modernas. O aparecimento e a expansão dos primeiros impérios multinacionais espalharam poucos idiomas dominantes pelo mundo.
