Na pacata Cataguases, do interior de Minas Gerais, os habitantes costumam ter uma vida tão tranquila que investigar crimes hediondos raramente faz parte da rotina policial. Porém, essa quietude se transforma em medo quando três crianças são encontradas mortas em um galpão abandonado em uma área residencial nobre.
Bartolomeu Franco assume a investigação desse caso, ao lado do parceiro Cenoura, no romance policial Não existe acaso no inferno, escrito por Vinícius Ferreira. As vítimas foram encontradas com maquiagem e uniformes escolares, sem nenhum sinal de violência. Em suas gargantas, havia um anel metálico com uma expressão em latim, e o local onde estavam havia sido registrado como uma igreja - apesar de ser um espaço desabitado.
Enquanto descobrem novas informações, principalmente sobre um fanático religioso obcecado pelo “décimo primeiro mandamento”, os protagonistas adentram um labirinto de corrupção que desafia as estruturas de uma sociedade marcada pelo silêncio. Durante o trabalho, ambos revelam como um crime perverso pode acontecer à vista daqueles que, da janela de seus condomínios caros, preferem ignorar a dor de seus vizinhos.
Ao atravessar temas como as desigualdades sociais e os abusos de poder, o autor revela um Brasil sombrio através das lentes do noir. A partir de elementos clássicos desse subgênero policial, a obra imerge em uma realidade que muitos fingem não existir, mas que permeia todas as relações no país.
