Para uma guerra que vem impondo mudanças tão radicais no campo de batalha, a permanência de Oleksandr Syrskyi, de 60 anos, no comando das Forças Armadas da Ucrânia já havia se tornado uma exceção.
Não se trata de etarismo, mas de um reflexo da mentalidade do chefe militar ucraniano, que acabou sendo destituído do cargo.
Sob essa perspectiva, a decisão do presidente Volodymyr Zelensky, na terça-feira (21), de substituir Syrskyi por Mykhailo Drapatyi, de 43 anos, um general mais jovem, pertencente a uma nova geração de líderes militares, parece, talvez, ter demorado a acontecer.
Syrskyi era um produto da era soviética e levou para os primeiros anos da guerra uma combinação de persistência obstinada e brutal com momentos de brilhantismo estratégico.
Seu perfil atendia à necessidade inicial da Ucrânia de enfrentar e, em algumas ocasiões, superar um inimigo maior e mais sanguinário.
A defesa de Kiev, em 2022, a rápida retomada da região de Kharkiv no mesmo ano e a surpreendente incursão em Kursk, já em território russo, em 2024, estão entre os principais feitos atribuídos a ele.
Mas sua liderança também foi marcada por perdas enormes entre as tropas ucranianas. E, no fim, as mesmas disputas políticas internas e a ambição pessoal que impulsionaram sua ascensão acabaram provocando sua queda.
