O acidente aéreo da Voepass, que matou 62 pessoas em Vinhedo (SP) em agosto de 2024, tem responsabilidade compartilhada, na avaliação do perito aeronáutico Daniel Kalazans. Em entrevista ao Poder360, ele atribuiu 60% da culpa à empresa e 40% à Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). Segundo investigação técnica da FAB (Força Aérea Brasileira), a agência fiscalizou a Voepass de forma insuficiente para impedir o desastre.
Kalazans, professor especialista em Direito Aeronáutico, fez a análise 1 dia depois da apresentação do relatório final do órgão, realizada na 5ª feira (24.jul.2026) em Brasília. O documento encerra a apuração do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) sobre o voo 2283 e conclui que o avião não deveria sequer ter decolado no dia do acidente.
“A empresa aérea com certeza é a principal responsável. A Anac também tem responsabilidade nisso. Mas, se eu fosse sopesar, daria uns 60% para a empresa e uns 40% para a Anac”, afirma Kalazans, ex-membro do Cenipa, órgão responsável pelo relatório. Leia a íntregra (PDF-18 mB).
Para o professor, a principal causa do acidente foi a empresa ter assumido o risco de utilizar o avião tendo ciência das falhas já encontradas em voos anteriores. Esses problemas, porém, não eram anotados no Diário de Bordo, sendo comunicados apenas verbalmente.
Esse comportamento foi apontado pelo Cenipa como uma “cultura de normalização de desvios“ da própria empresa.
