“Você não pode se esconder de um ataque de drone”, diz Elsadig. Para o jovem de 27 anos, essa é a aterrorizante realidade da vida em El-Obeid, cidade sitiada do Sudão, onde até a rotina mais simples carrega consigo a ameaça de uma morte repentina.
Durante grande parte da guerra civil sudanesa, iniciada há mais de três anos, os civis temiam os combates por terra. Em El-Obeid, um estratégico polo comercial e de ajuda humanitária que abriga mais de meio milhão de pessoas, muitos agora temem o que vem do céu.
No final de junho, Elsadig estava sentado em um posto de caminhões-pipa quando um ataque de drone atingiu a área, decepando sua perna esquerda.
Nas proximidades, Ahmado, um motorista de caminhão de esgoto de 42 anos, estava trabalhando quando o mesmo ataque atingiu um grupo de caminhões-pipa. Seu filho de 9 anos, que havia ido ao seu encontro após a escola, foi morto, junto de dois de seus colegas.
“Meu dia havia começado como qualquer outro. Havia drones voando sobre nossas cabeças, mas eu jamais imaginei que meu filho ou eu nos tornaríamos um alvo”, disse o motorista à CNN.
Sua família procurou a criança por horas antes de encontrar o corpo do menino dentro do caminhão carbonizado, após o fogo ter se apagado.
A CNN está identificando Elsadig e Ahmado apenas pelos primeiros nomes porque eles temem por sua segurança.
“Quando ouvimos que há um drone no ar, tentamos nos abrigar em um prédio de concreto”, disse Elsadig à reportagem.
