Apesar das sobretaxas de 25% e de 12,5% anunciadas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, o país deve ser um dos menos afetados entre os principais exportadores para o mercado norte-americano.
Para o economista, ex-presidente do NDB (Novo Banco de Desenvolvimento), o Banco dos Brics, esse cenário é resultado direto de uma transformação no perfil do comércio exterior brasileiro nas últimas duas décadas, marcada pelo fortalecimento dos mercados asiáticos como destino das exportações nacionais.
Em entrevista ao Poder360, o economista atribuiu a menor exposição brasileira à expansão das relações comerciais com a Ásia, impulsionada pelo crescimento da renda em países da região.
O principal exemplo é a China. Em 2001, quando o país ingressou na OMC (Organização Mundial do Comércio), o fluxo comercial bilateral era de aproximadamente US$ 1 bilhão por ano. Hoje, segundo Troyjo, esse mesmo volume é movimentado a cada 50 horas.
Para o economista, o aumento da renda per capita em economias asiáticas elevou a demanda por alimentos e matérias-primas, setores em que o Brasil tem vantagens comparativas.
Essa mudança alterou o destino das exportações brasileiras. Atualmente, cerca de 1/3 das vendas externas do país têm como destino a Ásia, enquanto os EUA respondem por uma parcela significativamente menor.
Os dados do Comex Stat ilustram a transformação. No 1º semestre de 2026, a China respondeu por 31,6% das exportações brasileiras, ante 9,4% dos EUA.
