Pesquisas eleitorais e inteligência artificial se tornaram as prioridades de Kassio Nunes Marques à frente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Desde que assumiu a presidência da Corte, em maio, o ministro tenta ampliar a fiscalização sobre os levantamentos de intenção de voto e preparar o tribunal para julgar casos de desinformação e conteúdos manipulados por IA.
A principal proposta do ministro, um “selo de qualidade” para institutos de pesquisa, já esbarrou em críticas de colegas do TSE, entidades do setor e especialistas em estatística e perdeu força.
No tribunal, ministros questionam se a Corte tem capacidade técnica para avaliar e certificar institutos, e se esse tipo de controle está mesmo entre as atribuições da Justiça Eleitoral.
A Abep (Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa) e a Abrapel (Associação Brasileira de Pesquisadores Eleitorais) também se posicionaram contra o selo. As entidades defendem a liberdade metodológica dos institutos, argumentam que não há um modelo único obrigatório para pesquisas eleitorais e alertam que novas restrições podem elevar custos, reduzir a pluralidade de métodos e limitar o acesso da população aos levantamentos.
Diante da resistência, Nunes Marques recuou para uma alternativa mais modesta: ampliar as informações exigidas no registro das pesquisas, com formulários mais detalhados sobre o perfil dos entrevistados e a metodologia usada.
