Como cientistas conseguem descobrir o que existe quilômetros abaixo da superfície da Terra sem fazer uma única escavação? A resposta está em uma tecnologia capaz de detectar diferenças quase imperceptíveis no campo magnético do planeta. A partir dessas pequenas variações, pesquisadores conseguem identificar falhas geológicas, antigos rios de magma, depósitos minerais e estruturas escondidas no subsolo.
A técnica voltou à evidência após um estudo realizado na Austrália ter produzido uma imagem mais detalhada da Australia Magnetic Anomaly, uma vasta estrutura subterrânea sob o Território do Norte cujo formato lembra o contorno do próprio continente australiano. O trabalho não exigiu novos voos nem novas medições em campo, mas um algoritmo de processamento que eliminou ruídos e distorções de levantamentos anteriores, revelando feições geológicas com maior clareza. Ou seja: os pesquisadores conseguiram extrair novas informações a partir de dados que já existiam.
O caso australiano ilustra como funciona uma ferramenta utilizada há décadas por geofísicos em diferentes partes do mundo, inclusive no Brasil. Para entender essa tecnologia, o Olhar Digital conversou com os professores Everton Frigo, Maximilian Fries e Daniele Pantoja Monteiro, do curso de Geofísica da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), e com Gelvam André Hartmann, professor do Departamento de Geologia e Recursos Naturais do Instituto de Geociências da Unicamp.
