O volume de recursos tomados por investidores para ampliar posições na bolsa dos EUA atingiu níveis recordes, reacendendo o debate sobre o risco de uma correção nos mercados.
Historicamente, períodos de forte aumento da alavancagem costumam coincidir com momentos de maior otimismo dos investidores e, em alguns casos, anteceder grandes quedas das bolsas.
De acordo com Bernardo Pascowitch, apresentador da Resenha do Dinheiro, o crescimento da chamada dívida em margem, quando investidores tomam dinheiro emprestado nas corretoras para investir, merece atenção por repetir um comportamento observado antes de outras crises financeiras.
“Quando analisamos a dívida em margem ao lado do desempenho do S&P 500, existe uma correlação muito forte. Antes da bolha das empresas de tecnologia, em 2000, da crise financeira de 2008 e da correção de 2022, houve um forte aumento da alavancagem. Agora, estamos novamente em um recorde histórico de endividamento dos investidores, enquanto a bolsa continua renovando máximas”, observa.
Esse movimento costuma ser alimentado pelo próprio ciclo de alta do mercado, avalia Marilia Fontes, economista e sócia-fundadora da Nord Investimentos.
“Se o S&P 500 sobe, mais investidores ganham confiança para pegar dinheiro emprestado e aumentar suas posições. Em momentos de crise acontece o contrário: as pessoas evitam se alavancar. Já durante um rali prolongado, a percepção de risco diminui e o apetite por novas apostas aumenta”, explica.
