O setor privado e lideranças indígenas divergiram sobre a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de desautorizar a dragagem emergencial no rio Tapajós, considerada essencial para impedir prejuízos à navegabilidade nos próximos meses, diante da iminência de uma seca extrema com o fenômeno climático El Niño.
Com cerca de 280 quilômetros entre Itaituba (PA) e Santarém (PA), a hidrovia do Tapajós conecta a produção do Centro-Oeste ao Arco Norte.
De um lado, o Conselho Temático de Infraestrutura da CNI (Confederação Nacional da Indústria) manifestou preocupação, alegando que a medida adia uma ação preventiva, ampliando o risco de restrições à navegação em um corredor logístico estratégico para o país.
Segundo o Coinfra, sem a intervenção, a menor navegabilidade deverá comprometer o escoamento dos grãos em 2026, impondo custos logísticos adicionais.
“A solução emergencial havia sido redimensionada para reduzir impactos e enfrentar apenas os pontos críticos: retirada de 1 milhão de metros cúbicos de sedimentos em sete trechos entre Miritituba e Santarém, abrangendo menos de 2% da extensão navegável, com execução prevista em 90 a 100 dias. Empresas do setor se dispuseram a custear integralmente os trabalhos, cabendo ao poder público fiscalizar sua realização”, ponderou a CNI.
