O economista-chefe da Fiemg (Federação das Indústrias de Minas Gerais), João Gabriel Pio, afirmou que a isenção de imposto de importação para compras de até US$ 50 em sites internacionais e a nova taxação dos EUA ao Brasil são um “duplo castigo” às empresas brasileiras.
“A indústria nacional passa a ser pressionada em duas frentes ao mesmo tempo: perde competitividade no mercado externo e enfrenta concorrência maior no mercado interno”, afirmou Pio ao Poder360.
Segundo o economista, o fim da chamada taxa das blusinhas facilita a entrada de produtos importados, sobretudo chineses, no mercado brasileiro e muitos desses itens concorrem diretamente com a indústria nacional, frequentemente com preços mais baixos.
“O ‘duplo castigo’ acontece porque, por um lado, a indústria brasileira vê seu acesso ao maior mercado consumidor do mundo ser reduzido pelo tarifaço; por outro, passa a enfrentar dentro do próprio Brasil uma concorrência externa mais intensa. É uma combinação particularmente ruim, porque comprime o setor tanto fora quanto dentro de casa”, declarou.
O economista afirmou que o caminho mais imediato para a indústria brasileira é diversificar mercados. “Em um ambiente internacional cada vez mais fragmentado geopoliticamente, diversificar vendas, clientes e destinos deixa de ser só uma opção comercial e passa a ser uma estratégia de sobrevivência e crescimento para a indústria brasileira”.
