Milhares de boias espalhadas pelo oceano podem revelar informações que antes pareciam difíceis de obter. Um estudo mostrou que a inteligência artificial consegue usar dados coletados pelo programa Argo para investigar a circulação do Atlântico.
Publicado na revista Ocean Science, o trabalho combina aprendizado de máquina e modelos oceanográficos para analisar um dos sistemas responsáveis pelo transporte de calor no planeta.
Boias que já monitoravam os oceanos ganham nova função
Há mais de 20 anos, cerca de 4 mil boias autônomas percorrem os oceanos dentro do programa internacional Argo. Elas mergulham até 2 mil metros de profundidade, registram temperatura, salinidade e pressão e enviam os dados por satélite para pesquisadores de todo o mundo.
O diferencial do novo estudo está em usar essas medições de uma maneira diferente. Em vez de analisar apenas informações individuais, os cientistas aplicaram inteligência artificial para encontrar padrões capazes de indicar o comportamento de grandes sistemas de circulação oceânica.
Queríamos saber se poderíamos usar as medições espalhadas do Argo para obter informações sobre sistemas de circulação em larga escala.
Dr. Yannick Wölker, autor principal da pesquisa, em nota.
Para isso, os pesquisadores treinaram um algoritmo de aprendizado de máquina com simulações detalhadas dos oceanos. O sistema aprendeu como características da água, principalmente temperatura e salinidade, se relacionam com os movimentos das correntes.
