Durante muito tempo, Vênus foi tratado como um planeta praticamente sem atividade geológica. Um novo estudo, porém, indica que essa visão pode precisar de revisão.
Simulações feitas por pesquisadores da ETH Zurique apontam que enormes vales na superfície venusiana podem continuar ativos, o que muda a forma como os cientistas enxergam o planeta.
Marcas antigas talvez não sejam tão antigas
Os grandes vales de ruptura de Vênus sempre chamaram a atenção por lembrarem estruturas encontradas na Terra, como o Vale do Rift Africano. Alguns chegam a 10 mil quilômetros de extensão.
Até agora, a hipótese predominante era que esses sistemas haviam se formado há mais de 100 milhões de anos e permaneciam apenas como vestígios de um passado distante. As novas simulações sugerem outro cenário: parte deles pode ter surgido recentemente ou até continuar em transformação.
Simulações revelam detalhes inéditos
Para chegar a essa conclusão, a equipe desenvolveu modelos tridimensionais de alta resolução, capazes de reproduzir essas formações com um nível de detalhe que os modelos anteriores, em geral bidimensionais, não alcançavam.
As análises indicam que:
alguns riftes podem ser geologicamente recentes;
essas estruturas podem se expandir entre 3 e 10 centímetros por ano;
seus flancos tornam-se rapidamente mais suaves quando o movimento termina;
os sistemas mais antigos apresentam relevo menos acentuado.
