Por volta do século IV a.C., Platão escreveu “A República” e tratou de um mito ou alegoria em que homens permanecem acorrentados desde o nascimento no interior de uma caverna, forçados a olhar apenas para a parede do fundo, sem nunca terem conhecido o mundo exterior. Tais prisioneiros somente enxergavam as sombras projetadas no fundo da caverna e tomavam-nas como a única verdade existente, ignorando a realidade externa.
No Brasil, cerca de 48,9 milhões de pessoas vivem na linha da pobreza, sem acesso à alimentação adequada, melhores condições de saúde e educação de qualidade. Quanto ao analfabetismo, há 9,1% de brasileiros que não sabem ler nem escrever. Como se não bastasse, quase 30% da população não consegue interpretar textos ou realizar operações matemáticas básicas, sendo considerada analfabeta funcional, conforme os últimos relatórios do IBGE.
Ao refletirmos sobre a realidade dos brasileiros, podemos concluir que milhões e milhões de pessoas estão dentro de uma prisão invisível, sem a mínima chance de encontrarem a saída. Permanecem acorrentadas pelos grilhões da ignorância e sequer sabem disso. De acordo com o escritor russo Fiódor Dostoiévski: “A melhor maneira de evitar que um prisioneiro escape é garantir que ele nunca saiba que está na prisão.”
Ora, como alguém vai lutar por direitos, escolher conscientemente os seus representantes políticos e exercer a cidadania plena, se não possuir a capacidade de desenvolver um raciocínio crítico mais aprofundado?
