Delano Macêdo, sócio-diretor da Solis Investimentos, afirmou que o nível elevado dos juros no Brasil aumenta a pressão sobre empresas e pessoas físicas. “Juro alto não é bom para ninguém, mas é o remédio amargo e necessário de política monetária com o objetivo de tentar conter a inflação”, disse Macêdo em entrevista ao Poder360 durante a Expert XP 2026, nesta 6ª feira (24.jul.2026).
Macêdo afirmou que a Selic em 14,25% ao ano encarece as operações de crédito e faz com que empresas tenham de lidar com taxas de 25% a 35% ao ano. Para pessoas físicas, segundo ele, o custo pode chegar a 70% ou 80% ao ano.
“Qual empresa tem margem de lucro para suportar 25%, 30%, 35% de taxa de juros? Uma empresa que depende de antecipar 100% dos seus recebíveis ou tem um volume grande de dívida provavelmente vai entrar em uma bola de neve e vai ter problema”, afirmou.
Apesar dos efeitos negativos sobre a economia, o executivo disse que a alta dos juros é um instrumento necessário para combater a inflação. Segundo ele, um cenário de juros mais baixos poderia estimular investimentos em empresas e ativos de maior risco.
“Seria muito melhor para todo mundo que os juros caíssem para 8%, 7%. Todo mundo se acomodava, ainda era um retorno importante, e mudava o foco dos investimentos”, disse.
Macêdo também afirmou que a experiência humana continua sendo essencial na gestão de risco de crédito, mesmo com o avanço da inteligência artificial.
