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Em 1958, eu deputado federal no Rio de Janeiro (a sede da Câmara ainda era lá), e Afonso Arinos, líder da Oposição ao Governo de Juscelino Kubitschek, propôs o meu nome para vice-líder da UDN. Eu tinha apenas 28 anos, mas já construíra minha reputação combatendo o governo e exercendo uma presença forte em nossa Bancada.
A vice-liderança representa uma função de muita responsabilidade. Uma das principais tarefas confiadas aos vice-líderes consiste em emitir um parecer preliminar para orientar os deputados, servindo como recomendação oficial do Partido para a Bancada. Naturalmente, ouvíamos as bancadas estaduais, consultávamos os Estatutos e o próprio Líder, naquele tempo, o meu era Carlos Lacerda, sobre a orientação política. Todos, com disciplina, seguiam a orientação oficial. Quando alguém divergia e queria votar diferente, só o fazia depois de autorizado, após examinadas e aprovadas as razões de consciência.
Quando eu era deputado em Brasília, já tendo deixado a vice-liderança, algumas vezes votei divergindo do Partido, por razões de consciência, a favor de determinado projeto ou aprovação de nomes. Foi assim quando Santiago Dantas foi indicado para Primeiro-Ministro, no regime parlamentarista: pedi licença para votar a favor, contrariamente à orientação da Liderança, a exemplo do que fez Bilac Pinto, então Presidente da UDN. Devidamente autorizados, assim o fizemos.
