Até pouco tempo, as fabricantes chinesas de chips de memória eram vistas como coadjuvantes diante das líderes globais. Esse cenário mudou. Segundo a Reuters, CXMT e YMTC passaram a influenciar preços, fechar contratos bilionários e ganhar espaço em um dos segmentos mais disputados da indústria de semicondutores.
O avanço também aumenta a pressão sobre concorrentes tradicionais e reforça a disputa tecnológica entre China e Estados Unidos.
Da dependência estatal ao protagonismo
Durante anos, produzir chips de memória significou operar com margens reduzidas. A ChangXin Memory Technologies (CXMT) e a Yangtze Memory Technologies Corp (YMTC) dependeram de recursos públicos e acumularam prejuízos enquanto buscavam competir com fabricantes estrangeiras.
A expansão dos data centers voltados à inteligência artificial mudou esse quadro. A procura por memórias usadas em servidores, smartphones e computadores disparou, transformando esses componentes em produtos estratégicos.
Foi nesse contexto que a CXMT demonstrou sua nova posição no mercado. De acordo com a Reuters, a empresa recusou pedidos da Huawei para reduzir os preços e impediu o retorno de engenheiros ligados à fornecedora SiCarrier à área de pesquisa e desenvolvimento da fábrica após um desentendimento.
Hoje, além de selecionar clientes, as fabricantes chinesas conseguem cobrar, em alguns casos, mais do que a Samsung e a SK Hynix.
