Juan Sebastián Chamorro foi preso e deportado depois de se lançar candidato à Presidência da Nicarágua em 2021. Essa foi a última vez que o país foi às urnas. Desde então, o presidente Daniel Ortega reforçou o próprio poder com reformas constitucionais, até declarar esta semana o fim das eleições.
“Fui privado da minha nacionalidade, tive meus bens confiscados e atualmente vivo aqui, nos Estados Unidos”, relata o opositor exilado em entrevista à CNN Brasil.
Chamorro integra o diretório da Coalizão Democrática Nicaraguense, movimento político conhecido inicialmente como Grupo de Monteverde, em referência à cidade da Costa Rica onde se reuniu pela primeira vez.
Questionado sobre o anúncio de que a Nicarágua não voltará às urnas, Juan Sebastián Chamorro afirma: “Até países como Coreia do Norte ou China, que estão longe de ser democráticos, realizam eleições regularmente. Ortega disse que isso acabou”.
Para a oposição nicaraguense, o fim das eleições não é exatamente uma novidade. Chamorro afirma que Ortega e a esposa Rosario Murillo, a “copresidente” do país promoveram uma “farsa eleitoral” ao prender ou forçar ao exílio os opositores que pretendiam disputar a Presidência, como aconteceu com ele próprio.
Ainda assim, o anúncio de Ortega seria, na visão dos críticos, uma prova do seu autoritarismo. “Trata-se de uma oportunidade para mostrar ao mundo inteiro quem Daniel Ortega realmente é: um autocrata”, afirma o político exilado.
