Dados do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública revelam que 65,1% das mulheres assassinadas por razões de gênero no Brasil em 2025 eram negras. O levantamento também aponta que mais da metade das vítimas, 56,5%, tinha entre 25 e 44 anos, faixa etária com maior incidência de casos.
Em entrevista ao Bastidores CNN desta quinta-feira (23), Juliana Brandão, coordenadora de gênero e raça do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, destacou que o feminicídio não é um crime súbito, mas sim o resultado de uma escalada de violência que pode ser identificada previamente.
Segundo ela, o problema vai além do endurecimento da legislação. “A gente está falando de atravessamentos do machismo, de masculinidades que não encontram obstáculo nem sequer na legislação”, destacou.
A especialista ressaltou que, embora o feminicídio seja atualmente um dos crimes com as maiores penas do ordenamento jurídico brasileiro, a repressão isolada não é suficiente para conter os números.
“Quando a gente investe em um enfrentamento que tem como eixo central a repressão, a gente cuida só de uma parte do problema”, disse.
Ela defendeu que a mulher não pode receber um olhar mais atento do Estado somente depois de ter sido vítima de uma violência. “É esperar o leite derramado para começar a atuar“, ressaltou Brandão.
Prevenção e autonomia
Para a especialista, é urgente ampliar as frentes de atuação para além do endurecimento penal.
