As demissões na Xbox não são um problema isolado. Elas refletem um modelo de desenvolvimento de jogos que se tornou cada vez mais caro, demorado e arriscado. Talvez estejamos presenciando o início de uma nova fase da indústria, em que o sucesso não será medido apenas pelo tamanho do orçamento, mas também pela eficiência e sustentabilidade dos projetos.
Mas será que o problema é a Xbox ou o modelo de produção adotado por toda a indústria?
Os jogos AAA nunca custaram tanto
Com equipes de centenas ou milhares de pessoas, desenvolvimento que leva cinco, seis ou até oito anos e orçamentos que chegam a centenas de milhões de dólares, os jogos AAA acabam gerando expectativas de vendas gigantescas, com um investimento cada vez mais difícil de recuperar.
Fazendo uma conta simples “de padeiro”: com um jogo indie recebendo um investimento de 200 mil dólares, é possível trabalhar no título por 10 meses, o que, a meu ver, é o tempo ideal para um jogo indie chegar às lojas. Com uma projeção de vendas de 14.300 unidades a 20 dólares cada, conseguimos um retorno de aproximadamente 200 mil para o desenvolvedor e 86 mil para a loja, que fica com 30% das vendas.
