Durante décadas, a moda foi usada para revelar quem somos. Roupas comunicam personalidade, status, profissão, origem e até posicionamento político. Mas, em uma sociedade cada vez mais observada por câmeras e algoritmos, algumas peças começam a ganhar uma função oposta: esconder nossa identidade.
Designers, pesquisadores e startups estão criando óculos, casacos, moletons e estampas capazes de dificultar a atuação de sistemas de reconhecimento facial e visão computacional. É a chamada moda adversarial, um movimento que mistura design, inteligência artificial, ativismo e privacidade.
A palavra “adversarial” vem de uma área da inteligência artificial dedicada a estudar formas de confundir algoritmos ou induzi-los ao erro. Sistemas de visão computacional são treinados para identificar padrões, como rostos, corpos, placas de automóveis e objetos. A moda adversarial procura inserir elementos visuais capazes de atrapalhar esse processo.
Uma estampa pode fazer o sistema identificar rostos onde não existe nenhum. Um modelo de óculos pode esconder pontos utilizados para reconhecer uma pessoa. Algumas peças usam materiais que interferem na luz infravermelha captada por determinados sensores.
Pesquisadores já desenvolveram roupas voltadas não apenas ao reconhecimento facial, mas à própria detecção de pessoas.
