O ex-secretário do Tesouro Nacional e head de Macroeconomia da Asa Investments, Jeferson Bittencourt, afirmou nesta 5ª feira (23.jul.2026) que o Brasil precisa de novas regras fiscais. Na visão dele, o arcabouço fiscal perdeu credibilidade.
Em entrevista ao Poder360, durante a Expert XP 2026, um dos principais eventos do setor na América Latina, Bittencourt afirmou que o país necessita de regras que estabilizem a trajetória da dívida pública e, principalmente, garantam o cumprimento dessas normas.
O principal problema das contas públicas, um dos principais desafios para 2027, não é só o tamanho da dívida, mas a velocidade com que ela cresce. “O arcabouço promove um ajuste lento da dívida. Levaria de 12 a 13 anos para chegar perto de um patamar que estabilize”, declarou.
De acordo com ele, não há indicativos de que as regras fiscais, embora estejam sendo cumpridas, vão conseguir controlar a dívida. A velocidade de ajuste prevista pelo arcabouço é insuficiente.
O superavit primário precisaria ser de 1,5% do PIB (Produto Interno Bruto) para que a dívida se estabilizasse. Projeções do mercado esperam que o Brasil feche 2026 com deficit primário do setor público consolidado de 0,50%.
O arcabouço fiscal é o conjunto de regras brasileiras criado durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que substituiu o antigo Teto de Gastos.
