O Conselho Nacional de Política Energética aprovou o aumento da mistura de etanol anidro na gasolina comum, que passa de 30% para 32%. A medida, válida a partir de agosto de 2026, afeta diretamente cerca de 5,5 milhões de veículos movidos apenas a gasolina no Brasil, o que corresponde a 11% da frota nacional.
Diferente de países como Estados Unidos e Europa, onde o etanol é usado apenas como aditivo em proporções entre 5% e 10%, o Brasil se distancia dos padrões globais. Por aqui, o combustível vegetal é utilizado para elevar a octanagem, mas o aumento traz preocupações para fabricantes e importadores.
O setor automotivo alerta que o novo percentual pode afetar negativamente o carro, causar falhas em motores não adaptados, além de reduzir o rendimento por litro. A promessa de economia na bomba pode ser anulada pela necessidade de abastecimentos mais frequentes.
Peças mais afetadas pelo etanol
O maior risco está nos bicos injetores, que podem sofrer carbonização e falhas de funcionamento. Além deles, mangueiras de combustível, filtros e retentores estão sujeitos a corrosão acelerada, já que não foram projetados para lidar com maior concentração de etanol.
Nos carros não flex, a queima da mistura desbalanceada pode resultar em marcha lenta instável, perda de potência e até dificuldade na partida a frio. Em alguns casos, a “luz de injeção” pode acender no painel, indicando falhas no sistema eletrônico de diagnóstico.
