A instalação de novos data centers no município de Caucaia, no Ceará, prevê um consumo de energia elétrica em um nível tão grande que tem gerado um embate social e político. De acordo com a reportagem do UOL, a demanda projetada para manter os complexos e seus sistemas de refrigeração operando continuamente equivale ao abastecimento médio de cerca de 4,5 milhões de residências, volume que supera todo o consumo residencial de eletricidade do estado do Ceará.
A concentração dessas infraestruturas de grande porte na Região Metropolitana de Fortaleza e na Zona de Processamento de Exportação (ZPE) coloca o estado sob pressão imediata sobre o sistema elétrico e hídrico local. Além da eletricidade, os projetos exigirão o uso em larga escala de recursos hídricos para o resfriamento de servidores, acendendo um alerta direto sobre a sustentabilidade da região, além de um potencial de mudar o modo de vida de quem mora nos arredores.
Impactos sociais, territoriais e ambientais
Povos indígenas da região, como os Anacé, expressam apreensão em relação ao avanço das obras sobre os territórios e ao uso intensivo das águas da região.
Normalmente, a região já sofre com desabastecimento de energia e até mesmo de água e isso é uma preocupação para a tribo:
"Todo dia, quase, a energia cai aqui. Não recebemos água ligada à rede. Temos água de cacimba artesanal, de buraco cavado. Acreditamos que isso vai piorar", disse Roberto Anacé, cacique do povo indígena Anacé de Caucaia.
