A taxa de mortes decorrentes de intervenção policial no Brasil em 2025 foi de 3,5 por 100 mil habitantes entre pessoas negras e de 1,0 entre pessoas brancas. A diferença, portanto, é de 3,5 vezes. Os dados constam do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), divulgado nesta quinta-feira (23).
Segundo a pesquisa, pessoas negras representaram 82% das vítimas de mortes por intervenção policial, contra 17,7% de pessoas brancas. É a maior proporção entre todas as categorias de mortes violentas intencionais analisadas pelo levantamento. Nos homicídios dolosos, o percentual de vítimas negras é de 79,9%. No latrocínio, 62,8%.
A distância entre os dois grupos aumentou no período. O índice cresceu 3,5% entre pretos e pardos na comparação com 2024 e permaneceu no mesmo patamar entre brancos.
Pelo Censo 2022 do IBGE, pretos e pardos somam 55,5% da população do país.
As polícias mataram 6.602 pessoas em 2025, aumento de 5,4% sobre 2024.
É o maior número absoluto desde 2016, início da série histórica do indicador. A média foi de 18 mortes por dia. O crescimento no período é de 55,7%. A taxa nacional ficou em 3,1 por 100 mil habitantes.
As mortes por ação policial responderam por 16,2% de todas as mortes violentas intencionais registradas no país, uma a cada seis. É a maior participação desde que o FBSP passou a usar o indicador, em 2014.
O movimento contrasta com a tendência geral.
