Uma em cada nove mulheres vítimas de feminicídio em 2025 havia obtido uma medida protetiva de urgência e, mesmo assim, acabou assassinada. O dado faz parte do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quarta-feira (23), e evidencia os limites da rede de proteção às mulheres em situação de violência.
Das 18 unidades da federação que informaram esse indicador, 70 mulheres foram mortas enquanto tinham medida protetiva ativa, o equivalente a 8,8% dos 797 feminicídios registrados nesses estados.
Em 2024, essa proporção havia sido de 8,6%, indicando estabilidade do cenário.
O Fórum Brasileiro de Segurança Pública ressalta, porém, que o dado provavelmente está subestimado. Nove estados não informaram quantas vítimas tinham medida protetiva vigente, entre eles São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia, responsáveis por mais de 40% dos feminicídios registrados no país.
Na avaliação dos pesquisadores, os números revelam que uma parcela significativa das mulheres assassinadas já havia procurado ajuda do Estado e obtido proteção judicial, mas essa proteção não foi suficiente para evitar a morte.
O levantamento também mostra que o descumprimento das medidas protetivas continua crescendo no Brasil. Em 2025, foram registrados 132.025 casos, alta de 16,7% em relação ao ano anterior. Isso representa, em média, 362 descumprimentos por dia ou 15 por hora.
