Enquanto o Brasil trabalha com informações fundamentadas em evidências, os Estados Unidos exercem pressão sem demonstrar tecnicamente a relação entre desmatamento e competitividade econômica. Esta foi a avaliação do Ministério do Meio Ambiente, após reagir “com surpresa” ao discurso de Jamieson Greer, representante de Comércio dos Estados Unidos.
Greer se referiu, na tarde de ontem, ao desmatamento no Brasil como uma vantagem competitiva para o País. Mas, de acordo com o ministro João Paulo Capobianco, o governo brasileiro não recebeu qualquer documento técnico dos Estados Unidos que comprove a relação entre desmatamento e uma suposta vantagem competitiva do agronegócio brasileiro.
Em entrevista ao CNN Agro, Capobianco disse que recebeu com surpresa o discurso de Greer e o considerou “desmedido”. Na avaliação do Ministro, a ausência de estudos técnicos reforça a percepção de que a discussão extrapola critérios ambientais.
“Se tivéssemos recebido um estudo técnico com números e dados, poderíamos apresentar as informações necessárias para o esclarecimento”, afirmou ao CNN Agro.
Capobianco considerou “evidente que o que está em jogo não é exatamente uma ação com base na realidade”. A declaração ocorre em meio à investigação aberta pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), com base na Seção 301 da legislação comercial americana.
